Vacinação contra HPV: tire suas dúvidas

(SEGUNDO DADOS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE GENITOSCOPIA)

QUAIS SÃO AS VACINAS CONTRA HPV EXISTENTES NO MERCADO BRASILEIRO?
Existem 2 vacinas contra HPV, aprovadas pela ANVISA e disponíveis comercialmente no Brasil. De acordo com Resolução RDC nº 61, de 25 de agosto de 2008 da ANVISA, o nome principal da vacina deve ser constituído do nome da doença ou, para algumas situações em que o agente etiológico não causa uma doença específica, o nome da vacina deve ser constituído do nome formal em latim/grego daquele agente. Assim temos:

1. Vacina quadrivalente contra o papilomavírus humano (6,11,16 e 18) , produzida pela MSD
2. Vacina bivalente contra o papilomavírus humano (16 e 18), produzida pela GSK

PARA QUE FAIXA ETÁRIA ESTÁ INDICADA A VACINA CONTRA O HPV?
1. Vacina quadrivalente HPV 6,11,16 e 18 para meninas e mulheres de 9 a 26 anos
2. Vacina bivalente HPV 16 e 18 para meninas e mulheres de 10 a 25 anos.
O ideal seria que as meninas fossem vacinadas precocemente, isto é, antes do início da atividade sexual. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) recomenda, o uso rotineiro em meninas entre 11 e 12 anos de idade. Porém, mulheres que ainda não se infectaram ou que já tiveram contato com algum dos tipos, podem se beneficiar protegendo-se contra os demais tipos.


QUAL É O ESQUEMA VACINAL?
Em 3 doses:

1. Vacina quadrivalente contra o HPV (6,11,16 e 18) - 0, 2 e 6 meses.
2. Vacina bivalente contra o HPV 16 e 18 - 0, 1, 6 meses.


QUAL É A VIA E LOCAL DE APLICAÇÃO?
As duas vacinas são administradas por via intramuscular.

1. Vacina quadrivalente contra HPV (6,11,16 e 18) - músculo deltóide ou vasto lateral da coxa.
2. Vacina bivalente contra HPV 16 e 18 - músculo deltóide.

QUAL É A DISPONIBILIDADE DA VACINA?
A vacina contra HPV está disponível apenas em clínicas privadas de imunização. Clínicas acreditadas pela Sociedade Brasileira de Imunização podem ser vistas em http://www.sbim.org.br/clinicas.htm.

A VACINA CONTRA HPV É DE VÍRUS VIVO OU INATIVADO?
As duas vacinas não contêm o DNA do vírus (vacina inativada), apenas proteínas do capsídeo viral (envoltório do vírus). Estas proteínas são chamadas de VLP (vírus-like particle),ou seja, partículas semelhantes a vírus. Estas proteínas induzem a produção de grandes quantidades de anticorpos neutralizantes e não tem capacidade de produzir doença.

É NECESSÁRIO DOSE DE REFORÇO?
Até o presente, não há recomendação de reforço. Os resultados são limitados pelo tempo de seguimento dos ensaios clínicos (7,5 anos) e não podem ser interpretados como indicando o período máximo de proteção desta vacina.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE O DESENVOLVIMENTO DE ANTICORPOS NA INFECÇÃO NATURAL E APÓS A VACINAÇÃO?
O desenvolvimento de anticorpos na infecção natural pelo HPV é baixo e pode não ocorrer em algumas mulheres. Os VLPs das vacinas induzem grandes quantidades de anticorpos neutralizantes, sendo de 10 a 1000 vezes maiores do que os gerados na infecção natural.

OS NÍVEIS DE ANTICORPOS ESTÃO RELACIONADOS À PROTEÇÃO?
Não existe um nível definido de anticorpos para indicar proteção, eles são utilizados apenas em estudos clínicos para verificar soroconversão. A maior medida mensurável de proteção da vacina é a eficácia comprovada em estudos clínicos contra lesões precursoras do câncer genital (NIC 2/3 e adenocarcinoma in situ para ambas as vacinas) e verrugas genitais (na vacina quadrivalente).

EXISTE ALGUM TESTE QUE POSSA INDICAR QUAIS AS MULHERES QUE TERÃO BENEFÍCIO EM SE VACINAR CONTRA O HPV?
Não. Testes para mensuração de anticorpos para HPV não estão disponíveis comercialmente e a biologia molecular só faz o diagnóstico de infecções atuais, não conseguindo prever se existiu infecções passadas. Biologia molecular positiva (PCR, captura híbrida, entre outros) também não é uma boa ferramenta, pois este teste apenas afirma a presença atual do DNA do HPV e não consegue prever se haverá criação de anticorpos neutralizantes em níveis adequados para prevenir contra nova infecção deste tipo.

O QUE FAZER SE NÃO SE RESPEITOU O INTERVALO ENTRE AS DOSES?
Completar o esquema independente do tempo decorrido desde a última dose.


QUAL É A EFICÁCIA DA VACINA?
Ambas as vacinas possuem eficácia próxima a 100% na proteção de lesões pré-cancerosas e adenocarcinoma in situ relacionadas ao HPV 16 e 18 e a vacina quadrivalente possui eficácia de 100% na prevenção de verrugas genitais causadas pelos HPVs 6 e 11.

A VACINA CONTRA HPV É SEGURA? QUAIS REAÇÕES ADVERSAS PODEM OCORRER?
Sim, o comitê consultivo de segurança vacinal da OMS estabeleceu que as vacinas possuem excelente perfil de segurança. Nos estudos clínicos, reações locais leves e temporárias no local da injeção (eritema, dor ou edema) foram de 10 a 20% mais freqüentes entre aqueles que receberam a vacina contra HPV em comparação com o grupo controle. Nenhuma das reações sistêmicas teve relação causal com a vacina contra o HPV.

MULHERES GRÁVIDAS PODEM TOMAR A VACINA CONTRA HPV?
Não. Se já foi iniciada a vacinação, no puerpério (pós-parto) completar o esquema independente do tempo decorrido desde a última dose. Mulheres grávidas que se expuseram inadvertidamente à vacinação nos estudos, não apresentaram complicação fetal ou maternas maiores que o grupo controle.

MULHERES QUE JÁ POSSUEM O HPV PODEM TOMAR A VACINA?
Sim. Em mulheres que eram positivas à inclusão no estudo, a um ou mais tipos de HPV cobertos pela vacina (HPV 6, 11, 16 ou 18), a vacina quadrivalente recombinante contra o papilomavírus humano (tipos 6, 11, 16 e 18) proporcionou proteção contra a doença relacionada aos outros tipos (isto é, proteção contra os tipos pelos quais não haviam sido contaminadas). Em outras palavras, uma pessoa infectada pelo HPV do tipo 6 antes da vacinação pode ainda receber proteção contra a doença causada pelos HPV dos tipos 11, 16 e/ou 18. Sabe-se que apenas 0,1 a 0,3% das mulheres apresentam positividade para os 4 tipos de HPV (6,11,16 e 18).

O QUE É PROTEÇÃO CRUZADA?
É definida como a possibilidade da vacina em disparar respostas imunes capazes de neutralizar tipos de HPV não contemplados na vacina e isto se deve a sua relação filogenética. Ambas as vacinas mostram eficácia parcial contra infecções causadas pelo HPV 31 e 45, relacionados geneticamente ao HPV 16 e 18.

A VACINA CONTRA HPV PODE SER ADMINISTRADA SIMULTANEAMENTE COM A VACINA H1N1 (GRIPE SUÍNA)?
Sim. No informe operacional da Estratégia Nacional de Vacinação Contra o Vírus Influenza Pandêmico (H1N1) do Ministério da Saúde, a recomendação em relação à administração simultânea com outras vacinas é de que como regra geral, uma vacina inativada como a vacina contra HPV pode ser administrada simultaneamente ou em qualquer data antes ou depois de outra vacina (viva ou inativada), não devendo perder-se oportunidades de vacinação. Assim, quando for necessária a administração simultânea de outra vacina ou com um in¬tervalo inferior a quatro semanas, esta deve ser efetuada em locais anatômicos diferentes, com registro do local de cada injeção, de acordo com o recomendado pelo Programa Nacional de Imunização.

EM MULHERES VACINADAS, COMO REALIZAR A PREVENÇÃO DO CÂNCER DO COLO DO ÚTERO?
Até o momento, preconiza-se o mesmo rastreamento que em mulheres não vacinadas (exame preventivo). Considerar teste de HPV e triagem apropriada a intervalos maiores (3 a 5 anos).